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DE QUE CIÊNCIA E TECNOLOGIA FALAMOS E A VISITA DO SECRETÁRIO LEONARDO RODRIGUES

No dia 25 de fevereiro foram apresentadas nossas demandas ao secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Leonardo Rodrigues em sua visita a UENF. A reunião ampliada contou com a presença de Chefes de laboratório, diretores de Centro, Pró-Reitores e representações sindicais (ADUENF, SINTUPERJ, DCE).

 Há um livro bastante interessante do professor Boaventura de Souza Santos cuja capa envio aqui aos cientistas da UENF. Neste livro, Boaventura discute alguns paradigmas basilares de fundação da ciência moderna, e refuta com argumentos brilhantes, algumas hierarquizações quanto a separação entre as ciências. Já faz algum tempo que esta discussão tem sido feita por pesquisadores entre os quais estão Thomas Kuhn em a Estrutura das Revoluções Científicas, Bruno Latour em A vida de Laboratório e o próprio Boaventura, É uma boa leitura para pensar e produzir narrativas sobre conhecimento, ciência e tecnologia.

Na verdade, contrariando algumas falas feitas durante a reunião, é falsa a separação entre uma ciência “rica” em política (como muito comumente são apresentadas as ciências humanas) e uma ciência mais “pé no chão”. Embora a observação seja um dos requisitos fundamentais das ciências ela é indissociável do observador concreto (político) a considerar até mesmo a escolha do objeto.

O Reitor da UFRJ Roberto Leher discutiu a relação entre ciência e sociedade em entrevista na qual argumentou que falta a Universidade Brasileira pensar a forma como o país está inserido na economia mundial. Se estamos pensando inovação e tecnologia, do que falamos exatamente? A quem deve chegar a inovação tecnológica produzida pela UENF? Quando falamos em transformação social no norte e noroeste fluminense, creio que estamos falando de algo muito mais amplo e estrutural do que a efetivação de parcerias entre Universidade e setor privado. Este é um bom debate a ser feito antes da repetição de frases muito genéricas (e pouco efetivas) sobre o lugar da UENF no cenário científico fluminense.

Foram unânimes as falas em defesa de uma Universidade que tem enfrentado crises desde 2015 e cuja duração já ameaça a sua própria existência enquanto uma instituição de excelência. Os elogios do secretário podem ser interpretados com “continuem fazendo bem o que sabem fazer bem”. Mas a contrapartida não foi tão explicitada quando talvez se esperasse.

Para explicar as possibilidades (na verdade, as impossibilidades do recente governo) o secretário empregou um termo bastante conhecido dos campistas sobre os 50 dias de gestão do governo Witzel : “ herança maldita”. O termo foi usado para referir-se neste caso, ao seu antecessor, atualmente preso, Luis Fernando Pezão e seu partido. Para Leonardo Rodrigues, sem a repactuação do regime de recuperação fiscal, o governo do Estado do Rio de Janeiro, estaria amarrado, imóvel.  Declarou que avançam as negociações desta repactuação com o ministro Paulo Guedes. A proposta é que o novo acordo tire o Rio deste “engessamento”. Em suas palavras “hoje não podemos fazer nada por causa deste regime”. Me pergunto o que podemos esperar de uma negociação com Paulo Guedes?

Demonstrou que existe certa nebulosidade no canal de comunicação com o governo federal, Em suas palavras “temos que esperar o governo federal primeiro achar o seu canal de comunicação oficial para depois a gente poder entender o que é twiter, o que é fake, o que é fato, primeiro a gente precisa saber que a mensagem que vem, ela é oficial ou não”. Um momento de sinceridade muito revelador do que nos aguarda.

Concluindo este texto, a visita do secretário não nos apresenta um horizonte esperançoso, nem caótico, já que em suas palavras “este será um ano de dificuldades”. Não há nesta frase, nenhuma novidade. As razões para não se comprometer com avanços importantes para UENF guarda coerência com o plano de governo de Wilson Witzel e sua orientação na relação com as Universidades Públicas.

Devemos ter clareza sobre um aspecto do regime de recuperação fiscal: ele não autoriza aumento salarial, mas autoriza REPOSIÇÃO SALARIAL.

Ou seja, para nós resta a luta. Esta que tem garantido nossos direitos, salários e condições de pesquisa nestes últimos anos.

Prof.a Luciane Soares da Silva
Presidente da ADUENF

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