Como já se tornou tradição na ADUENF, 1º de maio foi dia de Feijoada do Trabalhador. Este ano, a confraternização teve um tempero a mais: a mobilização dos docentes pelo cumprimento de direitos negligenciados pelo Governo do Estado, como a recomposição salarial, o novo Plano de Cargos e Vencimentos (PCV) e a volta dos triênios. Desde o dia 31 de outubro de 2025, a categoria se encontra em estado de greve.
“Nós estamos aqui não só para celebrar, mas também para marcar um dia de luta”, disse o presidente da ADUENF, professor Ricardo Nóbrega, lembrando que o 1º de maio começou a ser lembrado por uma greve de trabalhadores ocorrida em Chicago (EUA), contra jornadas diárias que chegavam a 14 horas. O movimento, que foi reprimido com prisões execuções, começou a ecoar em todo o mundo e move até hoje o movimento sindical. No Brasil, a luta dos trabalhadores trouxe resultados como a redução da jornada de trabalho, a criação do salário mínimo e a adoção das férias remuneradas.

Para Ricardo, é preciso ampliar os direitos. “Os trabalhadores não podem descansar na sua luta; se não, temos perdas de direitos, como tem acontecido nos últimos anos”, destacou o professor, citando que o novo PCV da UENF está parado há mais de quatro anos entre a Reitoria e o Palácio Guanabara. Citou também a perda dos triênios pelos novos docentes e o não pagamento da recomposição salarial prevista em lei, que aliviaria perdas salariais que hoje giram em torno de 50%, segundo cálculos do DIEESE.
O presidente da ADUENF lembrou que os servidores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) optaram pela greve no dia 25 de março, foram recebidos pelo governador em exercício, Ricardo Couto, e já caminham para avanços importantes. “Precisamos de pessoas presentes, lutando e participando das mobilizações”.
Para a 2ª secretária da ADUENF, professora Renata Maldonado, o 1º de maio é um dia histórico que mostra que, historicamente, os trabalhadores só conquistam seus direitos na luta. Em sua opinião, a Feijoada do Trabalhador é um espaço importantíssimo de sociabilidade, de encontro e de diálogo, deixando claro que todos têm o mesmo objetivo, que é lutar por melhores condições de trabalho e melhores salários.
“Nós não podemos aceitar ter um dos piores salários das estaduais no Brasil, com um corpo de professores doutores. Essa universidade foi fundada para ser uma universidade de excelência, e só faremos isso juntos. Então é importante que vocês estejam sempre com a gente, para que a gente possa conquistar essa pauta que é comum para todos nós”, conclamou Renata, destacando o papel fundamental das mulheres, que são maioria na UENF.



















