Cansados de esperar por uma resposta que nunca chega, os servidores estaduais tomaram as ruas do Rio de Janeiro na última quarta-feira (18/03). Um ato pela recomposição salarial — garantida por lei, prometida e nunca paga por Cláudio Castro — reuniu milhares de trabalhadores, que se concentraram no Largo do Machado e caminharam até a frente do Palácio Guanabara, na expectativa de uma comissão ser recebida pelo governador – que, no entanto, nem apareceu, nem nomeou interlocutor.


Como o próprio Castro disse há alguns dias em relação à recomposição salarial: “Não cedi até agora e não vou ceder”.
Se ele esperava o silêncio, recebeu muito barulho como resposta. Convocado pelo FOSPERJ e pelo Movimento Recomposição Salarial Já!, o ato contou com a participação de dezenas de sindicatos e associações de servidores estaduais, que estão na mesma situação dos servidores da UENF: com perdas salariais acumuladas e sem expectativa de melhoria a curto prazo. Teve gritos de ordem, batucada e muita indignação.
Ao final do ato público, mesmo sem a esperada reunião com o governador, o que se viu foi uma forte mobilização dos servidores pelo que parece ser inevitável: a deflagração de uma grande mobilização que pode levar à greve da categoria.
Mesmo com Cláudio Castro prestes a ser cassado ou renunciar, o movimento vai além. As categorias vão conversar com suas bases e buscar um canal de interlocução com o próximo governador. Também vão deixar claro que, quem não apoia o servidor, não merece o voto nas eleições de outubro. A quem assumir o Palácio Guanabara, fica claro o recado: respeite o servidor e negocie o que é de direito da categoria.
“Não conseguimos ser atendidos pelo governador, mas conseguimos estar presentes e atuamos pela mobilização da categoria docente e de outras categorias do serviço público. Este é um movimento que certamente trará desdobramentos, que poderão contribuir para o objetivo final, que é a recomposição salarial”, disse o presidente da ADUENF, professor Ricardo Nóbrega, que participou do ato junto com outros docentes, como representantes da ASDUERJ e da ADESFAETEC. “Estamos em contato com outras lideranças, aguardando os desdobramentos de assembleias e buscando uma ação conjunta para enfrentamento dessa situação atual, que é a negação de um direito que foi acordado com o governo há anos”.
O clima não é de ressaca; é de mobilização. A chapa esquentou. Os ânimos se acirraram. Não dá mais para ceder.
A ADUENF agradece aos docentes que atenderam ao chamado e participaram desta luta. Cumprindo seu papel de lutar pelos direitos dos docentes e por um serviço público valorizado, a Associação dos Docentes da UENF vai intensificar sua mobilização junto à base para a construção de uma greve. Serão realizados atos públicos, reuniões e assembleias. E será fundamental que a categoria docente participe, demonstrando sua força. Caso contrário, teremos mais um ano de espera – com perdas ainda maiores e sem o tão sonhado Plano de Cargos e Vencimentos (PCV).
Chega de perder, é hora de ganhar!



















