Realizado entre os dias 2 e 6 de março em Salvador (BA), o 44º Congresso do ANDES-SN renovou o ânimo dos docentes da UENF para as lutas que têm pela frente em 2026, como a a aprovação do Plano de Cargos e Vencimentos (PCV), a recomposição salarial não paga, a tentativa de Reforma Administrativa, a precarização do trabalho nas universidades, a financeirização da educação e o crescimento da extrema-direita, com ataques aos direitos dos trabalhadores.

Tendo como palco o Campus Ondina da Universidade Federal da Bahia (UFBA), o Congresso reuniu 641 docentes de 93 seções sindicais de todo o Brasil durante cinco dias de debates e deliberações sobre os rumos da luta docente no Brasil que serão travadas durante o ano de 2026. A ADUENF foi representada pelo seu presidente, o professor Ricardo Nóbrega.
Com o tema “Na capital da resistência, das revoltas dos Búzios e dos Malês: ANDES-SN nas lutas e nas ruas, pela democracia e educação pública, contra as opressões e a extrema direita!”, o evento discutiu a conjuntura política nacional e internacional, além de aprovar resoluções que orientarão as mobilizações da categoria ao longo do ano.
Entre os temas de destaque esteve a situação das universidades estaduais, municipais e distritais, que enfrentam desafios recorrentes relacionados ao financiamento, autonomia universitária e valorização do trabalho docente. As resoluções aprovadas reafirmam a importância de fortalecer a organização e a mobilização no Setor das Instituições Estaduais, Municipais e Distritais de Ensino Superior (Iees/Imes/Ides).
Foi aprovada a intensificação da campanha “Universidades Estaduais, Municipais e Distritais: Quem conhece defende”, que busca ampliar o reconhecimento social das instituições acadêmicas e denunciar os processos de precarização e subfinanciamento que afetam grande parte delas. Também foi deliberado o monitoramento dos efeitos da Reforma Tributária sobre os percentuais mínimos de financiamento das universidades estaduais, preocupação central para garantir recursos estáveis e permanentes para essas instituições.
Os docentes também aprovaram diretrizes para o plano geral de lutas da categoria. Entre os principais pontos, está a intensificação da mobilização contra o arcabouço fiscal e as políticas de austeridade, consideradas entraves ao financiamento das políticas sociais. O ANDES-SN reafirmou, ainda, a defesa da destinação de no mínimo 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação pública, com gestão pública e sem repasses de recursos para a iniciativa privada. Também foram aprovadas resoluções contra a plataformização do trabalho docente, fenômeno associado à precarização das condições de trabalho no ensino superior.
“Houve várias trocas entre os representantes sindicais em relação à situação das universidades e debates sobre a conjuntura nacional e internacional, com discussões sobre como devemos proceder diante desse cenário tão complexo em que a gente se encontra hoje”, destacou Ricardo Nóbrega, citando como alguns desafios a escalada da extrema-direita, os conflitos internacionais e a busca de governos, como o do estado do Rio de Janeiro, de reduzir gastos públicos para pagar juros da dívida. “Para eles, quanto menor o tamanho do Estado, quanto menos gastos públicos houver com a categoria docente, mais deixam recursos disponíveis para a iniciativa privada”.
A plenária de encerramento reforçou os desafios que se colocam para a classe trabalhadora e para a educação pública no próximo período. As resoluções aprovadas ao longo dos cinco dias de debates apontam para a necessidade de unidade e mobilização permanente da categoria docente em defesa da universidade pública, da autonomia universitária e de condições dignas de trabalho.
Ao final do encontro, também foi definido que o 45º Congresso do ANDES-SN será realizado em Curitiba (PR), no primeiro trimestre de 2027.



















