UENF, 32 ANOS: A UNIVERSIDADE PULSA, INSPIRADA PELO SONHO DE DARCY RIBEIRO

UENF, 32 ANOS: A UNIVERSIDADE PULSA, INSPIRADA PELO SONHO DE DARCY RIBEIRO

Neste sábado, 16 de agosto, a Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF) completa 32 anos. Mais que uma data no calendário, A ADUENF celebra um projeto ousado, que nasceu da visão de um homem que soube, como poucos, traduzir o espírito de quem fez da educação sua causa maior. Darcy Ribeiro deixou um pensamento que ecoa até hoje nos corredores da universidade: “Só há duas opções nesta vida: se resignar ou se indignar. E eu não vou me resignar nunca”.

Esse é o espírito que mantém viva a UENF: indignar-se diante das injustiças e lutar por uma educação pública, gratuita, de qualidade, capaz de transformar realidades. É esse mesmo espírito que alimenta a ciência e a tecnologia, motores essenciais para o desenvolvimento de qualquer nação. No Brasil, esse desenvolvimento passa, inevitavelmente, pelas universidades públicas — responsáveis por 95% da produção científica nacional.

No entanto, a realidade enfrentada é dura. Ano após ano, os recursos destinados à ciência e tecnologia diminuem, tanto no país quanto no estado do Rio de Janeiro. Na UENF, essa negligência se traduz em dificuldades concretas: docentes e servidores administrativos tratados com descaso. O novo Plano de Cargos e Vencimentos (PCV), aprovado há mais de dois anos, permanece parado no Palácio Guanabara, aguardando envio à ALERJ. A recomposição salarial, prevista em lei e prometida pelo governador Cláudio Castro antes de sua reeleição, segue como promessa não cumprida.

A ciência e a tecnologia não florescem com cortes e descontinuidade. Elas exigem visão de longo prazo, planejamento e respeito a quem as constrói diariamente. Mais do que salários justos e condições adequadas, é preciso que haja uma política sólida, que reconheça e valorize seu papel estratégico para a soberania e o futuro do país.

Como observa o presidente da ADUENF, professor Ricardo Nóbrega, a UENF foi criada no contexto da redemocratização do Brasil e da Constituição cidadã, voltada para a justiça social e democratização do conhecimento, numa região carente de universidades públicas. “É muito triste ver este projeto se perdendo. Nas últimas ações da UENF, temos visto a preocupação em atender aos interesses de mercado, com valores que são imediatistas e mais alinhados aos valores privatistas do que os públicos”.

Ricardo também critica o aumento do autoritarismo na UENF, citando como exemplo a criação de uma Corregedoria Interna, presidida por um policial. “A universidade é um espaço de ideias, liberdade, democracia, e não um espaço onde a repressão se torna algo cotidiano. O movimento sindical estará se colocando firmemente na resistência ao crescimento do autoritarismo, como uma de suas pautas mais importantes”.

A ADUENF mantém-se firme em sua luta. Inspirada por Darcy Ribeiro, a Associação dos Docentes da UENF optou por se indignar, jamais se resignar. O 16 de agosto é, sim, um dia de comemorar os avanços, as descobertas e os sonhos realizados. Mas também é dia de reafirmar o compromisso com a universidade autônoma, democrática e revolucionária que Darcy idealizou. Uma UENF viva, pulsante e pronta para seguir transformando o Norte Fluminense, o estado do Rio e o Brasil.

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