Em Assembleia da ADUENF realizada na última quarta-feira (29/10), os docentes da UENF decidiram aprovar o estado de greve. A decisão, tomada por ampla maioria dos presentes, é uma resposta à morosidade e ao descaso do Governo do Estado, que há quatro anos mantém engavetado o Plano de Cargos e Vencimentos (PCV) dos servidores da universidade — documento fundamental para corrigir injustiças históricas e garantir a valorização de docentes e técnicos administrativos.
O PCV foi aprovado ainda em 2021 pelo Conselho Universitário (CONSUNI), mas, desde então, aguarda que o governador Cláudio Castro encaminhe o projeto referente ao plano à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ) para votação. Enquanto isso, o governo alega entraves burocráticos impostos pela Comissão de Acompanhamento e Monitoramento Econômico Financeiro do Regime de Recuperação Fiscal do Rio de Janeiro (COMISSARF), exigindo da universidade uma “compensação financeira”. Mas, segundo já confirmou a própria reitora, Rosana Rodrigues, o impacto do PCV já está previsto no orçamento anual da instituição. Ou seja, o que falta não é dinheiro — é vontade política.
Desde o início dessa luta, a ADUENF vem travando uma verdadeira batalha em defesa da universidade pública e dos direitos de seus trabalhadores. Foram inúmeras reuniões com lideranças políticas, audiências públicas, manifestações e atos públicos em Campos, no Rio e em Brasília. Mesmo assim, o governo insiste em empurrar com a barriga uma pauta que representa dignidade e valorização profissional.
O novo PCV corrige distorções gritantes, como o absurdo de docentes precisarem prestar novo concurso para ascender à classe de titular — perdendo direitos adquiridos, como licença-prêmio e triênios. Além disso, o plano recompõe parte das perdas salariais, que já ultrapassam 50%, segundo o DIEESE, e enfrenta a vergonhosa realidade de técnicos administrativos que recebem menos de um salário mínimo.
Com o estado de greve aprovado, a categoria intensifica sua mobilização. Não se trata ainda de paralisação, mas de um chamado à luta: panfletagens, assembleias, atos públicos e uma forte campanha de esclarecimento à sociedade marcarão as próximas semanas. No dia 10 de novembro, como parte da mobilização, os docentes participarão, no Rio de Janeiro, de uma Audiência Pública na ALERJ sobre a Reforma Administrativa, que ataca os direitos dos servidores, enfraquecendo as carreiras, expandindo os contratos temporário e trazendo riscos concretos para a Educação pública e de qualidade.
A Comissão de Mobilização já está formada e pronta para organizar as próximas ações. A mensagem da ADUENF é clara: esperar não é saber — quem sabe faz a hora, não espera acontecer. O Governo do Estado precisa ouvir a voz dos trabalhadores da UENF e aprovar imediatamente o PCV.
Chega de perder, é hora de ganhar!



















