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RETORNO PRESENCIAL: GRUPO DE TRABALHO VAI ELABORAR DOCUMENTO PARA PLANO SANITÁRIO E EDUCACIONAL

A ADUENF é a favor do retorno das atividades presenciais na UENF, desde que ele ocorra com segurança. Na falta de regras claras sobre como essa volta ocorrerá, a Associação resolveu tomar a frente dessa discussão tão importante, que envolve a vida e a saúde de docentes, alunos, alunas e servidores da área administrativa, inclusive terceirizados.

Na Assembleia Geral Online da ADUENF do dia 10 de fevereiro, foi decidida por unanimidade a formação de um grupo de trabalho que vai elaborar um documento base para um plano sanitário e educacional. Seguindo o exemplo de outras instituições de ensino superior do país, este plano estabelecerá protocolos bem definidos que deverão ser seguidos por toda a comunidade acadêmica para conter o avanço da Covid-19.

Na Plenária Virtual realizada no dia 17 de fevereiro, o debate se ampliou, ganhando a adesão do Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Públicas Estaduais do Rio de Janeiro (SINTUPERJ), Associação de Pós-graduandos da UENF (APG/UENF) e estudantes de graduação. O grupo de trabalho também terá representantes destas entidades. A primeira reunião acontecerá nesta quinta-feira (24/02), às 15h30.

 

CONDIÇÕES INADEQUADAS

As regras para o retorno presencial foram estabelecidas pela Reitoria através da Portaria UENF No 110/2022, de 31 de janeiro. Entre outras medidas, a portaria estabelece que o acesso aos campi só será permitido às pessoas com ciclo vacinal completo. Também deverá ser respeitada uma distância mínima de 1,5 metro entre as pessoas e, sempre que possível, os ambientes internos deverão ter ventilação natural.

Em boa parte dos ambientes da UENF, no entanto, estas regras correm o risco de ficar apenas na teoria. Faltam ambientes com ventilação adequada e, em muitos laboratórios, não será possível garantir o distanciamento mínimo seguro entre os docentes e estudantes.

E o que é mais grave: a Reitoria não estabelece canais claros de diálogo com a comunidade na UENF. “Precisamos discutir diretrizes, porque ainda faltam critérios a serem definidos”, pondera a presidente da ADUENF, Raquel Garcia. Segundo ela, Reitoria transferiu para os servidores da UENF uma responsabilidade que seria sua. “O que estamos vendo é uma tentativa atabalhoada de retorno presencial”.

Entre os docentes, o clima é de incerteza pela falta de condições na universidade. “É inviável dar aula no Hospital Veterinário, onde nenhuma sala tem janela e tudo foi programado para funcionar com ar condicionado. Há banheiros sem pia e falta água em alguns lugares”, relatou a professora Maria Angélica da Costa Pereira, que cobra articulação da Reitoria. “A gente já poderia ter se preparado há dois anos, mas agora se vê num pandemônio em meio à pandemia. Estou vendo um circo de horrores acontecer”.

 

APOIO AO GRUPO DE TRABALHO

A criação do grupo de trabalho recebeu apoio. “Não acredito que o retorno presencial seja o mais seguro para nenhum de nós neste momento. Mesmo com um prazo cada vez mais curto, agora é hora de montar esse documento”, destacou o estudante de graduação Ítalo Bruno.

– O que importa é pensar na universidade como um lugar onde a educação precisa emanar, e também a educação em saúde. Desejo que esse grupo de trabalho dê bons frutos, e nos colocamos à disposição para contribuir – disse a presidente da APG/UENF, Pauline Ildefonso.

Representante do SINTUPERJ na Plenária Virtual, Sérgio Dutra também vê como fundamental a criação do plano sanitário e educacional. Quanto ao retorno presencial determinado pela Reitoria, ele cobra regras mais claras sobre o acesso às instalações da UENF. “Como será feito esse controle, é uma preocupação. Muitos técnicos, inclusive, estão questionando se haverá disponibilidade de teste rápido de Covid”. O sindicato também questiona a ocupação das salas com 100% dos alunos, observando que será difícil manter a distância mínima de 1,5 metro.

Também presente à Plenária, o professor Fernando Luna se mostrou favorável à formação do grupo de trabalho e disse que pretende compartilhar com os alunos o plano sanitário e educacional. “Não é a primeira vez que a ADUENF assume uma responsabilidade que não deveria ser dela, que é a volta às aulas em meio a uma pandemia tão grave. Esse documento será a coisa mais importante que vamos fazer durante a pandemia”.

Para a 1ª vice-presidente da ADUENF, Luciane Silva, o número de mortes no Brasil tem a ver com a posição autoritária e negacionista do Governo Federal. “Na UENF, embora não haja negacionismo, temos dificuldade de diálogo com a Reitoria. Essa Plenária e a criação do grupo de trabalho são as nossas saídas para reduzir danos e preservar a saúde de todos e todas”.

Luciane também considera importante que os terceirizados e terceirizadas da UENF tenham um mapa vacinal, pois circulam por toda a universidade, realizando os trabalhos de limpeza, segurança e manutenção dos prédios. “É importante provê-los de álcool gel e máscaras de qualidade, pois nem sempre seu salário é suficiente para este investimento”.

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