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A velocidade dos fatos e o Dia da Consciência Negra

Foto: Mídia NINJA

Este texto seria uma discussão sobre os resultados das eleições de 2020. O objetivo era fazer um recorte para pensarmos as eleições municipais e a eleição da engenheira química Luanda Moraes para reitoria da Uezo. Luanda, mulher negra, formada pela UFRJ, Luanda, uma velha conhecida da ADUENF nas lutas vividas quando tentávamos ser recebidos na ALERJ nos idos de 2016. O critério para fecharmos as agendas, “quem vinha de mais longe” foi uma das primeiras formas de comunhão com os problemas de uma Universidade na zona oeste do Rio de Janeiro.

Registramos também a eleição de um vice-reitor negro, Dario Nepomuceno, físico, formado pela Universidade Federal Fluminense, como companheiro de chapa de Luanda.

Assim como Luanda, mulheres negras foram eleitas Brasil afora. Vereadoras e prefeitas que alteram definitivamente a configuração do poder em cidades com menos de 100 mil habitantes.

A notícia do assassinato de João Alberto Silveira Freitas no dia 19 de novembro, em Porto Alegre, nos exigiu uma pausa para voltar e declarar o óbvio o racismo estrutural segue matando no Brasil.

Nos últimos dois anos, ataques em redes de supermercados vitimaram gravemente 5 homens negros
Mas para além disto, redes como o Carrefour são conhecidas de pesquisadores da temática racial como violentas e racistas – não são poucos os casos envolvendo seguranças em situações de excesso de emprego da força.

A Universidade pública tem tarefas urgentes pela frente:
1. Lutar pela democratização de seus quadros, fortalecendo as ações afirmativas tanto para alunos como aplicando a lei 12.990 de 2014 que reserva 20% das vagas de concursos públicos federais para candidatos negros e negras.
2. Reforçar as pesquisas sobre a temática racial em constante diálogo com movimento sociais
3. Observar as condições de trabalho de funcionários terceirizados e portanto, precarizados. Estas quadros são geralmente compostos por trabalhadoras (es) negros que são negligenciados dentro das instituições por sua condição de terceirizados
4. Manter campanhas constantes contra todas as formas de racismo, assédio e preconceito.
5. Apoiar fortemente pesquisadores negros (as) em pós graduação para que tenham as condições materiais de término de suas pesquisas.

Não nos interessa uma comemoração do dia da Consciência Negra que não seja o encaminhamento de lutas que como vimos com a morte de João Alberto, seguem urgentes.

Luciane Silva – Diretora Aduenf

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